De onde vem: o comprimido
Um comprimido de 250 mg é tomado a cada 6 h. Após 6 h, resta no corpo 4% da dose anterior. Quanto se acumula no organismo a longo prazo?
É uma progressão geométrica, cuja soma dos \(N\) primeiros termos é
$$S_N = \frac{a_1\left(1-q^N\right)}{1-q} = \frac{250\left(1-(0{,}04)^N\right)}{1-0{,}04}$$Fazendo \(N\to\infty\), o termo \((0{,}04)^N\) desaparece:
$$T_N \longrightarrow \frac{250}{0{,}96} = \frac{250}{\tfrac{96}{100}} = 250\cdot\frac{100}{96} \approx 260{,}42\ \text{mg}$$Somas parciais e definição de série
De uma sequência \(\{a_n\} = \{a_1,a_2,a_3,\dots\}\) constrói-se a sequência das somas parciais \(\{S_n\}\):
$$S_1 = a_1, \qquad S_2 = a_1+a_2, \qquad S_3 = a_1+a_2+a_3, \;\dots$$E a série é o limite dessa nova sequência:
$$\lim_{N\to\infty} S_N = \lim_{N\to\infty}\sum_{k=1}^{N} a_k = \sum_{n=1}^{\infty} a_n$$Seja \(\{a_n\}\) uma sequência. A série \(S=\sum_{n=1}^{\infty}a_n\) é
- convergente se \(S\in\mathbb{R}\);
- divergente se \(S\notin\mathbb{R}\).
A série alternada
Olhando as somas parciais:
$$S_1 = 1,\quad S_2 = 1-1 = 0,\quad S_3 = 1,\quad S_4 = 0,\quad S_5 = 1$$A sequência \(\{S_n\}\) fica pulando entre 0 e 1 — não converge. Logo a série diverge.
Série geométrica
Para quais valores de \(q\) ela converge? A soma parcial é
$$S_N = \frac{a_1\left(1-q^N\right)}{1-q}$$Se \(q=1\): a fórmula quebra, mas a série é \(a_1+a_1+a_1+\dots\), que diverge.
Se \(|q|\ge 1\): \(q^N\) não se estabiliza e a série diverge.
Se \(|q|<1\): \(q^N\to 0\) e a série converge, com
$$\boxed{\;S = \frac{a_1}{1-q}\;}$$Série que representa uma função
Tomando \(a_1=1\) e \(q=x\) na fórmula anterior:
$$\sum_{n=1}^{\infty} x^{\,n-1} = \frac{1}{1-x}, \qquad |x|<1$$Ou seja: uma função inteira fica representada por uma série, dentro do intervalo em que ela converge. O mesmo acontece com \(e^x\), \(\cos(x)\), \(\operatorname{sen}(x)\) e outras.
Série telescópica
Uma série é telescópica quando o termo geral é a diferença de dois termos consecutivos de uma mesma sequência \(\{b_n\}\):
$$a_n = b_n - b_{n+1}$$O nome vem da luneta que se fecha sobre si mesma: ao somar, cada parcela negativa encontra a positiva da parcela seguinte, e o miolo inteiro desaparece.
$$S_N = \sum_{n=1}^{N}\left(b_n - b_{n+1}\right) = b_1 - b_{N+1}$$Sobram só as pontas. A série é o limite disso:
$$\sum_{n=1}^{+\infty}\left(b_n - b_{n+1}\right) = b_1 - \lim_{N\to+\infty} b_{N+1}$$Toda a convergência fica pendurada num limite só, o de \(b_n\):
- se \(\lim b_{N+1}\) existe e é finito, a série converge, e a soma é \(b_1\) menos esse limite;
- se esse limite é infinito ou não existe, a série diverge.
- Escrever o termo como uma diferença \(b_n - b_{n+1}\). Às vezes ele já chega assim; às vezes é preciso decompor em frações parciais para chegar nesse formato — é o assunto do tópico 07.
- Montar a soma parcial \(S_N\) e cancelar o miolo.
- Ver o que sobra nas pontas.
- Tomar o limite quando \(N\to+\infty\).
O truque é decompor o termo geral em frações parciais. O denominador já está fatorado em dois fatores lineares, então escrevemos uma incógnita sobre cada um:
$$\frac{1}{n(n+1)} = \frac{A}{n}+\frac{B}{n+1}$$Multiplicando os dois lados por \(n(n+1)\), os denominadores somem:
$$1 = A(n+1) + Bn$$Agora escolhemos valores de \(n\) que anulam um dos termos:
$$n=0:\quad 1 = A(1) + 0 \implies A = 1$$ $$n=-1:\quad 1 = 0 + B(-1) \implies B = -1$$Substituindo de volta:
$$\frac{1}{n(n+1)} = \frac{1}{n}-\frac{1}{n+1}$$Obs. Escolher \(n=0\) e \(n=-1\) é o atalho: cada raiz do denominador zera um dos termos e entrega a outra incógnita de graça. Dá no mesmo que igualar coeficientes, mas sem resolver sistema.
Todo termo interno aparece duas vezes com sinais opostos e some. Sobram apenas as pontas:
$$S_n = 1-\frac{1}{n+1} \qquad\Longrightarrow\qquad S_n \xrightarrow[n\to+\infty]{} 1$$Logo a série converge e \(\sum_{n=1}^{\infty}\frac{1}{n(n+1)} = 1\).
Passo 1 · achar o \(b_n\). Não há o que decompor: basta comparar com \(a_n = b_n - b_{n+1}\).
$$b_n = e^{1/n} \qquad\Longrightarrow\qquad b_{n+1} = e^{1/(n+1)}$$Passo 2 · montar \(S_N\) e cancelar o miolo. Abrindo as primeiras parcelas:
$$n=1:\quad e^{1} - e^{1/2}$$ $$n=2:\quad e^{1/2} - e^{1/3}$$ $$n=3:\quad e^{1/3} - e^{1/4}$$O salto é 1, então cada negativo morre com o positivo da linha imediatamente seguinte.
Passo 3 · o que sobra nas pontas. Uma de cada lado: o primeiro positivo e o último negativo.
$$S_N = e^{1} - e^{1/(N+1)} = e - e^{1/(N+1)}$$Passo 4 · o limite. Quando \(N\to+\infty\), o expoente \(\frac{1}{N+1}\to 0\), e a exponencial é contínua:
$$\lim_{N\to+\infty} e^{1/(N+1)} = e^{0} = 1$$O limite existe e é finito, logo a série converge:
$$\sum_{n=1}^{+\infty}\left(e^{1/n} - e^{1/(n+1)}\right) = e - 1 \approx 1{,}718$$Frações parciais: decidir e somar
A decomposição do tópico anterior não é um truque daquela série só — é o procedimento padrão para todo termo geral que seja uma fração com denominador fatorável. Ele resolve as duas perguntas de uma vez: se a série converge e quanto ela vale.
- Fatorar o denominador em fatores lineares.
- Escrever uma incógnita sobre cada fator.
- Multiplicar os dois lados pelo denominador inteiro, para limpá-lo.
- Substituir as raízes do denominador, uma de cada vez: cada uma zera todos os termos menos um e entrega uma incógnita de graça.
- Com o termo já na forma de diferença, seguir o procedimento telescópico do tópico 06: somar até \(N\) e ver o que sobrevive ao cancelamento.
O passo 5 é o que separa este método dos testes: ele devolve \(S_N\) em forma fechada. Com \(S_N\) na mão, a convergência é só o limite dele — e o limite é a soma.
A série \(\sum_{n=2}^{+\infty}\frac{1}{n^2-1}\) é a mesma que o Teste da Integral vai resolver no tópico 11 — lá só para dizer que converge. Aqui ela sai inteira, com o valor da soma.
Passo 1 · fatorar. É diferença de quadrados:
$$\frac{1}{n^2-1} = \frac{1}{(n-1)(n+1)}$$Passos 2 e 3 · uma incógnita por fator, e limpar:
$$\frac{1}{(n-1)(n+1)} = \frac{A}{n-1}+\frac{B}{n+1}$$ $$1 = A(n+1) + B(n-1)$$Passo 4 · substituir as raízes \(n=1\) e \(n=-1\):
$$n=1:\quad 1 = A(2) + 0 \implies A = \tfrac{1}{2}$$ $$n=-1:\quad 1 = 0 + B(-2) \implies B = -\tfrac{1}{2}$$Com o \(\tfrac12\) em evidência:
$$\frac{1}{n^2-1} = \frac{1}{2}\left(\frac{1}{n-1}-\frac{1}{n+1}\right)$$A soma parcial, de \(n=2\) até \(n=N\), é
$$S_N = \frac{1}{2}\sum_{n=2}^{N}\left(\frac{1}{n-1}-\frac{1}{n+1}\right)$$Abrindo as primeiras parcelas, uma por linha:
$$n=2:\quad \frac{1}{1}-\frac{1}{3}$$ $$n=3:\quad \frac{1}{2}-\frac{1}{4}$$ $$n=4:\quad \frac{1}{3}-\frac{1}{5}$$ $$n=5:\quad \frac{1}{4}-\frac{1}{6}$$Aqui cada termo negativo só encontra seu par duas linhas adiante, não na linha seguinte. O \(-\tfrac13\) morre com o \(+\tfrac13\) de \(n=4\), o \(-\tfrac14\) com o \(+\tfrac14\) de \(n=5\), e assim por diante. Sobram duas pontas de cada lado:
$$S_N = \frac{1}{2}\left(1+\frac{1}{2}-\frac{1}{N}-\frac{1}{N+1}\right)$$Essa é a forma fechada. Agora o limite:
$$\lim_{N\to+\infty} S_N = \frac{1}{2}\left(1+\frac{1}{2}-0-0\right) = \frac{1}{2}\cdot\frac{3}{2} = \frac{3}{4}$$O limite existe e é finito, logo a série converge, e
$$\sum_{n=2}^{+\infty}\frac{1}{n^2-1} = \frac{3}{4}$$Teste da divergência
Se a série \(\sum a_n\) converge, então \(\lim_{n\to\infty} a_n = 0\).
É o primeiro teste a aplicar em qualquer série: olhar o termo geral.
Logo a série diverge.
Logo a série diverge. Repare que o termo geral tende a um número perfeitamente finito — e é justamente por não ser zero que a série estoura.
A harmônica: o contraexemplo que fecha o teste
O termo geral vai a zero. Mesmo assim, a série diverge.
A série \(\sum n^n/n!\)
Escrevendo os dois fatoriais lado a lado, com a mesma quantidade de fatores:
$$\frac{n^n}{n!} = \frac{n\cdot n\cdot\;\dots\;\cdot n}{n(n-1)(n-2)\cdots 2\cdot 1}$$ $$= \frac{n}{n}\cdot\frac{n}{n-1}\cdot\frac{n}{n-2}\cdots\frac{n}{2}\cdot\frac{n}{1}$$Cada fator é \(\ge 1\), e o último vale \(n\). Portanto
$$\frac{n^n}{n!} \;\ge\; 1\cdot 1\cdots 1\cdot n \;=\; n \qquad\Longrightarrow\qquad \lim_{n\to+\infty}\frac{n^n}{n!} = +\infty$$O termo geral nem sequer é limitado, muito menos vai a zero: a série diverge pelo teste da divergência.
Teste da Integral
Seja \(\sum a_n\) uma série de termos positivos e \(f:(0,+\infty)\to\mathbb{R}\) tal que
- \(f(n) = a_n\), e
- \(f\) é decrescente.
Então a série \(\sum_{n=1}^{+\infty}a_n\) e a integral \(\int_1^{+\infty}f(x)\,dx\) convergem ou divergem juntas.
\(\sum_{n=1}^{+\infty}\frac{1}{n^2+1}\) com \(f(x)=\frac{1}{x^2+1}\):
$$\int_1^{+\infty}\frac{1}{x^2+1}\,dx = \operatorname{arctg}(x)\Big|_1^{+\infty} = \frac{\pi}{2}-\frac{\pi}{4} = \frac{\pi}{4}$$A integral é finita, logo a série converge.
Obs. A primitiva sai da derivada do arco-tangente, \(\left(\operatorname{arctg} x\right)' = \frac{1}{x^2+1}\) — reconhecer esse formato evita qualquer substituição. Nos extremos: \(\operatorname{arctg}(x)\to\frac{\pi}{2}\) quando \(x\to+\infty\), e \(\operatorname{arctg}(1)=\frac{\pi}{4}\) porque \(\tan\frac{\pi}{4}=1\).
\(\sum_{n=1}^{+\infty}\frac{1}{n}\) com \(f(x)=\frac{1}{x}\):
$$\int_1^{+\infty}\frac{1}{x}\,dx = \ln(x)\Big|_1^{+\infty} = +\infty$$Obs. \(1/x\) é a única potência que não integra pela regra da potência — cai no logaritmo. E \(\ln(x)\to+\infty\), devagar, mas sem parar; em \(x=1\) vale 0.
É a mesma harmônica do tópico 09 — aqui a divergência sai direto da integral.
\(\sum_{n=2}^{+\infty}\frac{1}{n^2-1}\) com \(f(x)=\frac{1}{x^2-1}\):
Primeiro fatora-se o denominador, que é diferença de quadrados:
$$\int_2^{+\infty}\frac{1}{x^2-1}\,dx = \int_2^{+\infty}\frac{1}{(x+1)(x-1)}\,dx$$Agora frações parciais, uma incógnita sobre cada fator:
$$\frac{1}{(x+1)(x-1)} = \frac{A}{x+1}+\frac{B}{x-1}$$Multiplicando tudo por \((x+1)(x-1)\):
$$1 = A(x-1) + B(x+1)$$Escolhendo as raízes do denominador, uma de cada vez:
$$x=1:\quad 1 = 0 + B(2) \implies B = \tfrac{1}{2}$$ $$x=-1:\quad 1 = A(-2) + 0 \implies A = -\tfrac{1}{2}$$Com \(A\) e \(B\) na mão, a integral vira uma soma de dois logaritmos:
$$= \int_2^{+\infty}\left(\frac{-1/2}{x+1}+\frac{1/2}{x-1}\right)dx$$ $$= \left(-\tfrac{1}{2}\ln(x+1)+\tfrac{1}{2}\ln(x-1)\right)\Big|_2^{+\infty}$$Juntando os dois logaritmos em um só:
$$= \frac{1}{2}\ln\left(\frac{x-1}{x+1}\right)\Big|_2^{+\infty}$$No limite superior, \(\frac{x-1}{x+1}\to 1\) e \(\ln 1 = 0\). Sobra só o valor em \(x=2\), com o sinal trocado:
$$= 0 - \frac{1}{2}\ln\left(\frac{1}{3}\right) = -\frac{1}{2}\ln\left(\frac{1}{3}\right) = \frac{1}{2}\ln 3 \approx 0{,}549$$Valor finito, logo a série converge. Repare que a série começa em \(n=2\) — em \(n=1\) o denominador zeraria.
Obs. 1 · a integral de cada pedaço. \(\int\frac{dx}{x+a} = \ln|x+a|\) sai por substituição \(u=x+a\), que dá \(du=dx\) e devolve \(\int\frac{du}{u}=\ln|u|\). Como aqui \(x\ge 2\), os dois argumentos são positivos e o módulo pode cair.
Obs. 2 · juntar os logaritmos. É a regra \(\ln P - \ln Q = \ln\frac{P}{Q}\): o \(\tfrac12\) em evidência deixa \(\tfrac12\left(\ln(x-1)-\ln(x+1)\right)\), que vira \(\tfrac12\ln\frac{x-1}{x+1}\). Sem essa junção, o limite em \(+\infty\) daria \(\infty-\infty\) e não se resolveria direto.
p-série
A série vira \(\sum n^{-p}\) com expoente \(-p\ge 0\), e
$$\lim_{n\to+\infty} n^{-p} \ge 1 \neq 0$$Logo diverge, sem precisar de integral.
Obs. É a regra da potência, \(\int x^k\,dx = \frac{x^{k+1}}{k+1}\), aqui com \(k=-p\). Ela exige \(k\neq -1\), ou seja \(p\neq 1\) — é exatamente por isso que \(p=1\) foi separado: naquele caso o denominador \(-p+1\) zeraria, e a primitiva é o logaritmo do exemplo anterior.
Agora é só olhar o sinal do expoente:
Se \(-p+1>0\), então \(x^{-p+1}\to+\infty\) e a integral diverge.
Se \(-p+1<0\), ou seja \(p>1\), a integral vale \(\frac{1}{p-1}\) e converge.
Se \(p\le 1\), diverge.
Se \(p>1\), converge.
Uma vez decorada a conclusão, classificar uma p-série não tem conta nenhuma: o serviço inteiro é enxergar o \(p\). E raiz é potência fracionária.
$$\sqrt[5]{n} = n^{1/5} \qquad\Longrightarrow\qquad \frac{1}{\sqrt[5]{n}} = \frac{1}{n^{1/5}}$$Comparando com a família \(\sum 1/n^p\), lê-se \(p=\frac{1}{5}\). Como \(\frac{1}{5}\le 1\):
$$\sum_{n=1}^{+\infty}\frac{1}{\sqrt[5]{n}} \quad \textbf{diverge}$$Foi só reescrever a raiz e olhar a tabela. Nenhuma integral, nenhuma comparação.
Todo o jogo é juntar os expoentes de \(n\) num só e comparar com 1:
| Série | Como potência | \(p\) | Veredito |
|---|---|---|---|
| \(\sum \frac{1}{\sqrt[5]{n}}\) | \(\sum n^{-1/5}\) | \(\frac{1}{5}\) | diverge |
| \(\sum \frac{\sqrt[5]{n}}{n}\) | \(\sum n^{-4/5}\) | \(\frac{4}{5}\) | diverge |
| \(\sum \frac{1}{n\sqrt[5]{n}}\) | \(\sum n^{-6/5}\) | \(\frac{6}{5}\) | converge |
| \(\sum \frac{1}{n^2\sqrt[5]{n}}\) | \(\sum n^{-11/5}\) | \(\frac{11}{5}\) | converge |
Obs. As contas de expoente são todas a mesma regra, \(n^a\cdot n^b = n^{a+b}\): \(n\sqrt[5]{n} = n^{1}n^{1/5} = n^{6/5}\), e \(\frac{\sqrt[5]{n}}{n} = n^{1/5-1} = n^{-4/5}\).
Repare como a virada acontece entre a segunda e a terceira linha, sem nada de dramático mudar na aparência da série. O que decide é só o expoente cruzar o 1.
Teste de comparação
Sejam \(\sum a_n\) e \(\sum b_n\) séries de termos positivos. Se \(a_n \le b_n\) para cada \(n\), então:
1) se \(\sum b_n\) converge, então \(\sum a_n\) converge;
2) se \(\sum a_n\) diverge, então \(\sum b_n\) diverge.
\(\sum_{n=1}^{+\infty}\frac{n-5}{n^3+2n+1}\) converge, pois
$$\frac{n-5}{n^3+2n+1} \;\le\; \frac{n}{n^3+2n+1} \;<\; \frac{n}{n^3} = \frac{1}{n^2}$$e \(\sum 1/n^2\) é p-série com \(p=2>1\), que converge.
É a série invertida do tópico 10. Escrevendo os fatores:
$$\frac{n!}{n^n} = \frac{n}{n}\cdot\frac{n-1}{n}\cdots\frac{2}{n}\cdot\frac{1}{n}$$Todos os fatores são \(\le 1\); guardando apenas os dois últimos:
$$\frac{n!}{n^n} \;\le\; \frac{2}{n^2}$$Como \(\sum 2/n^2\) converge, a série converge.
Quando a desigualdade falha por pouco, multiplique a série de comparação por uma constante. Constante positiva não muda convergência — se \(\sum b_n\) converge, \(\sum c\,b_n\) converge; se diverge, continua divergindo. Ela só ajusta a folga para a desigualdade fechar.
Teste \(\sum_{i=2}^{\infty}\frac{1}{i^2-i}\). O candidato natural é \(b_i=\frac{1}{i^2}\), já que \(i^2-i \approx i^2\) para \(i\) grande. Mas a comparação direta não fecha:
$$\frac{1}{i^2-i} \le \frac{1}{i^2} \iff i^2 \le i^2-i \iff 0 \le -i$$falso para todo \(i\ge 2\). E faz sentido: subtrair \(i\) deixa o denominador menor, então a fração fica maior que \(1/i^2\) — o contrário do que se precisava. Em \(i=2\): \(a_2=\frac{1}{2}\) contra \(b_2=\frac{1}{4}\).
Dobrando a série de comparação:
$$\frac{1}{i^2-i} \le \frac{2}{i^2} \iff i^2 \le 2i^2-2i \iff 2i \le i^2 \iff i \ge 2$$Verdadeiro exatamente no domínio da soma. Em \(i=2\) dá igualdade, e em \(i=3\) já há folga: \(\frac{1}{6}\approx 0{,}167\) contra \(\frac{2}{9}\approx 0{,}222\).
Como \(\sum\frac{2}{i^2} = 2\sum\frac{1}{i^2}\) é constante vezes p-série com \(p=2\), converge. Logo \(\sum\frac{1}{i^2-i}\) converge.
A regra do grau
Numa série do tipo \(\sum \frac{n^a+\dots}{n^b+\dots}\), só os graus dominantes importam:
Se \(b-a>0\), compare com \(\sum \frac{1}{n^{\,b-a}}\).
Se \(b-a<0\), compare com \(\sum n^{\,a-b}\).
As comparações da aula seguem esse padrão: \(\sum_{n=2}^{+\infty}\frac{1}{n^2-1}\) e \(\sum\frac{1}{n^2-n-1}\) caem ambas em \(\sum\frac{1}{n^2}\), com \(b-a=2\).
Teste da comparação no limite
Sejam \(\sum a_n\) e \(\sum b_n\) séries de termos positivos. Se
$$\lim_{n\to+\infty}\frac{a_n}{b_n} = c, \qquad \text{onde } 0<c<+\infty,$$então ambas as séries convergem, ou ambas divergem.
O limite é 1, que está entre 0 e \(+\infty\). Como \(\sum 1/n^2\) converge, \(\sum\frac{1}{n^2-n-1}\) também converge.
Comparando \(\sum 1/n^2\) com \(\sum 1/n^3\):
$$\frac{1/n^2}{1/n^3} = \frac{n^3}{n^2} = n \xrightarrow[n\to+\infty]{} +\infty$$Aqui \(c\) não é finito, então o teorema não se aplica na forma acima. O que se usa é a leitura direta: \(\frac{a_n}{b_n}\ge M \iff a_n \ge M\,b_n\) — ou seja, \(a_n\) domina \(b_n\), e volta-se ao teste de comparação simples.
Estimativa de resto
Quantos termos preciso somar para que o erro cometido seja menor que um \(\varepsilon\) dado? A cauda que sobra é limitada pela integral.
Obs. Mesma regra da potência: \(\int x^{-3}dx = \frac{x^{-2}}{-2} = -\frac{1}{2x^2}\). No limite superior esse termo tende a 0, então sobra apenas \(-\left(-\frac{1}{2n^2}\right) = \frac{1}{2n^2}\) — o sinal negativo da primitiva com o da subtração dos extremos.
Impondo que esse resto seja menor que o erro pedido:
$$\frac{1}{2n^2} < \frac{1}{10^3}$$ $$n^2 > \frac{10^3}{2} = 500$$ $$n > 10\sqrt{5}$$Como \(10\sqrt{5}\approx 22{,}4\), bastam 23 termos para garantir erro menor que 0,001.
Checklist da A2
Se você consegue responder tudo abaixo sem consultar, a aula está fechada.
| Pergunta | Onde está |
|---|---|
| Definir série como limite das somas parciais | Somas parciais e definição |
| Mostrar que \(\sum(-1)^{n+1}\) diverge só pela definição | A série alternada |
| Dizer para quais \(q\) a geométrica converge e qual é a soma | Série geométrica |
| Reconhecer \(a_n = b_n - b_{n+1}\) e somar pelos quatro passos | Série telescópica |
| Dizer quando uma telescópica diverge, apesar do cancelamento | Série telescópica |
| Decompor em frações parciais, achar \(S_N\) e dar a soma exata | Frações parciais: decidir e somar |
| Aplicar o teste da divergência e saber quando ele não conclui | Teste da divergência |
| Lembrar que a harmônica diverge mesmo com \(a_n\to 0\) | A harmônica |
| Verificar as três hipóteses do Teste da Integral antes de usá-lo | Teste da Integral |
| Resolver \(\int 1/(x^2-1)\) por frações parciais | Teste da Integral (c) |
| Classificar uma p-série nos três casos de \(p\) | p-série |
| Reescrever raiz como expoente fracionário para ler o \(p\) | p-série |
| Montar a desigualdade de comparação para uma racional | Teste de comparação |
| Ajustar a comparação com uma constante quando a desigualdade direta falha | Teste de comparação |
| Escolher a série de comparação pela regra do grau | A regra do grau |
| Usar a comparação no limite e reconhecer o caso \(c=+\infty\) | Comparação no limite |
| Dizer quantos termos garantem um erro dado | Estimativa de resto |