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MAT039 · Cálculo II · 2026/2

Representação em séries de potênciasderivar, integrar e substituir na geométrica

A A4 terminou perguntando para quais x a série converge. Esta aula vira a pergunta do avesso: dada uma função conhecida — \(1/(3+x)\), \(\ln(1+x)\), \(\operatorname{arctg}(x)\), \(1/x\) — como escrevê-la como série de potências? A resposta é sempre a mesma máquina: forçar a função a virar uma série geométrica, e depois derivar ou integrar termo a termo.

Aula: A5 Tópicos: 13 Pré-requisito: A4 Atualizado: 25/08/2026
Parte 1A série de potências como função
A5 · 01

De série a função

O quadro abriu recolocando o que a A4 já tinha fechado. Vale reler as duas linhas, porque tudo o que vem depois se apoia nelas — e nenhuma das duas é novidade:

Da A4 · raio de convergência $$\sum_{n=0}^{+\infty} a_n\left(x-x_0\right)^{n} \quad\text{converge se}\quad x\in\left(x_0-R,\;x_0+R\right)$$ $$\text{onde}\quad \frac{1}{R} = \lim_{n\to+\infty}\frac{|a_{n+1}|}{|a_n|} = \lim_{n\to+\infty}\sqrt[n]{|a_n|}$$
Da A2 · a série geométrica $$\text{se } |x| < 1,\ \text{então}\quad \frac{1}{1-x} = 1 + x + x^{2} + \dots + x^{n} + \dots$$

Esta é a única série decorada da aula inteira. Todas as funções da parte 3 saem dela.

O passo novo é de leitura: em vez de olhar a série como uma soma que converge, olha-se para ela como uma função, definida ponto a ponto dentro do intervalo de convergência.

Definição · a função soma $$f(x) = \sum_{n=0}^{+\infty} a_n\left(x-x_0\right)^{n}, \qquad \text{para } x\in\left(x_0-R,\;x_0+R\right)$$

E a soma parcial de ordem \(n\) é um polinômio comum:

$$S_n(x) = \sum_{k=0}^{n} a_k\left(x-x_0\right)^{k}$$

Ou seja: \(f\) é o limite de uma sequência de polinômios. Daí a pergunta natural — e nova — desta aula: se cada \(S_n\) se deriva e se integra sem esforço, será que \(f\) herda isso?

Onde a A4 para e a A5 começaNa A4 a série era o dado e o intervalo era a resposta. Aqui é o contrário: a função é o dado, e a série é a resposta. O intervalo continua aparecendo, mas agora como condição de validade da igualdade que você escreveu — a parte da questão que mais se esquece.
A5 · 02

Derivação termo a termo

A resposta é sim, e sem cerimônia: deriva-se parcela por parcela, como se a soma fosse finita.

Escrevendo por extenso e derivando $$f'(x) = \Big(a_0 + a_1(x-x_0) + a_2(x-x_0)^{2} + \dots + a_n(x-x_0)^{n} + \dots\Big)'$$ $$= a_1 + 2a_2(x-x_0) + \dots + n\,a_n(x-x_0)^{n-1} + \dots$$

O \(a_0\) é constante e some. Em forma de somatório:

$$f'(x) = \sum_{n=1}^{+\infty} n\,a_n\left(x-x_0\right)^{n-1}, \qquad x\in\left(x_0-R,\;x_0+R\right)$$
E de novo, quantas vezes se quiser $$f''(x) = \sum_{n=2}^{+\infty} n(n-1)\,a_n\left(x-x_0\right)^{n-2}$$ $$\vdots$$

A cada derivada o índice inicial sobe um, porque mais um termo constante foi zerado. O intervalo \((x_0-R,\,x_0+R)\) é o mesmo: derivar não muda o raio.

O erro de índice é o erro clássicoDerivou, o somatório passa a começar em \(n=1\), não em \(n=0\) — e o expoente vira \(n-1\), não \(n\). Deixar o \(n=0\) escrito acrescenta um termo \(0\cdot a_0(x-x_0)^{-1}\) que não existe e ainda estoura o expoente negativo. Na segunda derivada, \(n=2\).
A5 · 03

Integração termo a termo

Mesma licença do outro lado: a integral entra no somatório.

A integral da função soma $$\int f(x)\,dx = \int \sum_{n=0}^{+\infty} a_n\left(x-x_0\right)^{n} dx$$ $$= \sum_{n=0}^{+\infty} \int a_n\left(x-x_0\right)^{n} dx$$ $$= \sum_{n=0}^{+\infty} a_n\,\frac{\left(x-x_0\right)^{n+1}}{n+1} + C$$

Cada parcela é uma potência, e integra-se pela regra de sempre: sobe o expoente, divide pelo novo expoente. O índice inicial não muda — nenhum termo desaparece ao integrar.

A constante é uma só, e ela vale notaNão é uma constante por parcela: a integração termo a termo produz um único \(C\), pendurado fora do somatório. E ele não fica em aberto — nos exemplos da parte 3 o \(C\) é sempre determinado substituindo um valor cômodo de \(x\) (quase sempre \(x=0\)) na igualdade.
Parte 2A substituição na geométrica
A5 · 04

Trocar \(x\) por outra coisa

A geométrica foi reescrita com outra letra, de propósito, para deixar claro que o papel de \(x\) pode ser ocupado por qualquer coisa:

$$\frac{1}{1-y} = 1 + y + y^{2} + \dots + y^{n} + \dots, \qquad \text{se } |y| < 1$$
Exemplo · \(y = \operatorname{sen}(x)\) $$\frac{1}{1-\operatorname{sen}(x)} = 1 + \operatorname{sen}(x) + \operatorname{sen}^{2}(x) + \dots + \operatorname{sen}^{n}(x) + \dots$$

desde que \(|\operatorname{sen}(x)| < 1\). A condição não é decoração: em \(x=\pi/2\) o seno vale 1, o lado esquerdo explode e a igualdade morre.

O molde geral

O que se põe no lugar de \(y\) costuma ser da forma

$$\boxed{\;y = c\,x^{p}\;}$$

mas pode ser qualquer \(y = f(x)\), contanto que

$$|f(x)| < 1$$

Esta única linha é a máquina da parte 3 inteira: \(f(x) = -x/3\) dá \(1/(3+x)\), \(f(x) = -x\) dá \(1/(1+x)\), \(f(x) = -x^{2}\) dá \(1/(1+x^{2})\), \(f(x) = 1-x\) dá \(1/x\).

A5 · 05

O teorema da substituição

Enunciado

Se

$$\sum_{n=0}^{+\infty} a_n x^{n} \quad\text{é convergente para } x\in\left(-R,\,R\right)$$

então

$$\sum_{n=0}^{+\infty} a_n \big(f(x)\big)^{n} \quad\text{converge}\quad\text{se}\quad \boxed{\;|f(x)| < R\;}$$

Isto é: a variável nova entra no lugar da antiga, e a condição de convergência entra junto — quem tem de ficar dentro do raio agora é \(f(x)\), não \(x\).

Exemplo · traduzir a condição de volta para \(x\)

Com \(f(x) = x^{2}\), a condição do teorema é \(|x^{2}| < R\). Ela ainda não é resposta: precisa virar um intervalo em \(x\).

$$|x^{2}| < R$$ $$|x|^{2} < R \iff |x| < \sqrt{R}$$

O raio da série nova é \(\sqrt{R}\), não \(R\).

Substituiu, refaz a desigualdadeEste é o ponto onde a questão é perdida na correção: acha-se a série certa e repete-se o intervalo antigo. Toda vez que você troca \(x\) por \(f(x)\), a condição \(|f(x)| < R\) tem de ser resolvida em \(x\) — e o resultado quase nunca é o intervalo de partida.
A5 · 06

Por que isso só vale para série de potências

Derivar termo a termo parece inofensivo, e não é. O quadro trouxe uma série de funções que não é série de potências para mostrar o estrago.

Exemplo · a série converge $$\sum_{n=1}^{+\infty}\frac{\operatorname{sen}(n!\,x)}{n^{2}} \;\le\; \sum_{n=1}^{+\infty}\frac{1}{n^{2}}$$

Obs. \(|\operatorname{sen}(n!\,x)| \le 1\) para todo \(x\), então cada termo é limitado por \(1/n^{2}\). A da direita é p-série com \(p=2>1\), converge — e por comparação a da esquerda converge também, para todo \(x\).

Exemplo · a derivada termo a termo não converge

Derivando parcela por parcela, a regra da cadeia joga o \(n!\) para fora:

$$\sum_{n=1}^{+\infty}\frac{n!\cos(n!\,x)}{n^{2}}$$

Basta testar no ponto mais barato. Para \(x=0\), \(\cos(0)=1\):

$$\text{para } x = 0 \;\Longrightarrow\; \sum_{n=1}^{+\infty}\frac{n!}{n^{2}}$$

O fatorial esmaga o \(n^{2}\): o termo geral vai a \(+\infty\), e a série diverge pelo teste da divergência.

A licença dos tópicos 02 e 03 é um privilégioSomar infinitas funções e derivar dentro do somatório não é uma regra geral de cálculo — aqui a série de partida converge em toda a reta e a derivada termo a termo já falha na origem. O que autoriza os tópicos 02 e 03 é a série ser de potências, e só dentro do intervalo aberto \((x_0-R,\,x_0+R)\). Fora dessa hipótese, não use.
Parte 3As funções do quadro
A5 · 07

A função \(1/(3+x)\)

Primeira aplicação da máquina. O objetivo é sempre o mesmo: deixar a expressão na cara de \(\dfrac{1}{1-y}\).

Etapa 1 · forçar o formato \(1-y\) $$\frac{1}{3+x} = \frac{1}{3\left(1+\dfrac{x}{3}\right)} = \frac{1}{3\left(1-\left(-\dfrac{x}{3}\right)\right)}$$

Obs. Dois ajustes: põe-se o 3 em evidência para o primeiro termo virar 1, e escreve-se \(+\,x/3\) como \(-\,(-x/3)\) para o sinal bater com o do denominador da geométrica. Agora \(y = -x/3\).

Etapa 2 · abrir a geométrica $$\frac{1}{3+x} = \frac{1}{3}\left(1 + \left(-\frac{x}{3}\right) + \left(-\frac{x}{3}\right)^{2} + \dots + \left(-\frac{x}{3}\right)^{n} + \dots\right)$$ $$= \frac{1}{3} - \frac{x}{3^{2}} + \frac{x^{2}}{3^{3}} + \dots + (-1)^{n}\frac{x^{n}}{3^{n+1}} + \dots$$

Obs. O \(1/3\) de fora entra em cada parcela e por isso o expoente do 3 fica \(n+1\); o sinal de \((-x/3)^n\) vira \((-1)^n\).

Etapa 3 · o intervalo $$\text{desde que}\quad \left|-\frac{x}{3}\right| < 1 \iff |x| < 3$$ $$\left(-3,\;3\right)$$
A5 · 08

A função \(1/(1+x)\) e sua derivada

O caso mais simples da substituição, e o que serve de matéria-prima para quase tudo que vem depois.

Exemplo · \(y = -x\) $$\frac{1}{1+x} = \frac{1}{1-(-x)} = 1 - x + x^{2} + \dots + (-1)^{n}x^{n} + \dots$$

A troca de \(x\) por \(-x\) só alterna os sinais. A condição \(|-x|<1\) é a mesma \(|x|<1\): aqui o intervalo não muda.

Exemplo · derivando os dois lados

À esquerda, derivada comum; à direita, o tópico 02:

$$\left(\frac{1}{1+x}\right)' = \frac{-1}{(1+x)^{2}} = -1 + 2x + \dots + (-1)^{n}n\,x^{n-1} + \dots$$

Obs. O termo constante 1 morreu, o \(-x\) virou \(-1\), o \(x^2\) virou \(2x\). Uma derivada de graça produziu a série de \(-1/(1+x)^{2}\), que ninguém montaria do zero.

É assim que se obtém série de função "difícil"Nenhuma das funções desta parte foi expandida na força bruta. Todas nasceram de \(1/(1-y)\) e depois foram derivadas ou integradas. Diante de uma função estranha numa prova, a pergunta correta não é "qual a série dela?", e sim "de que função conhecida ela é a derivada ou a integral?".
A5 · 09

A função \(\ln(1+x)\)

Aqui o caminho é o de integração, e é o exemplo que mostra como se acerta o \(C\).

Etapa 1 · reconhecer a primitiva e abrir $$\ln(1+x) = \int \frac{1}{1+x}\,dx = \int\frac{1}{1-(-x)}\,dx$$ $$= \int\left(1 - x + x^{2} + \dots + (-1)^{n}x^{n} + \dots\right)dx$$ $$= x - \frac{x^{2}}{2} + \frac{x^{3}}{3} + \dots + (-1)^{n}\frac{x^{n+1}}{n+1} + \dots + C, \qquad \text{se } |x| < 1$$
Etapa 2 · achar o \(C\) $$\text{em } x = 0 \;\Longrightarrow\; \ln(1) = C$$

E \(\ln(1) = 0\), porque toda parcela do lado direito tem \(x\) em evidência e zera. Logo \(C = 0\):

$$\ln(1+x) = \sum_{n=0}^{+\infty}(-1)^{n}\frac{x^{n+1}}{n+1}, \qquad \boxed{\,|x| < 1\,}$$
Guardar esta e a do arctgJunto com a geométrica, \(\ln(1+x)\) e \(\operatorname{arctg}(x)\) são as três séries de que todas as outras da aula saem por substituição. Não vale decorar as três com \(x\) genérico e esquecer o \(|x|<1\) — é ele que muda quando você substitui.
A5 · 10

As funções \(\ln(1-x)\) e \(\ln(1-x^{2})\)

Nenhuma integral nova: as duas saem da série do tópico 09 pela substituição do tópico 05.

Exemplo · \(\ln(1-x)\), trocando \(x\) por \(-x\) $$\ln(1-x) = \sum_{n=0}^{+\infty}(-1)^{n}\frac{(-x)^{n+1}}{n+1}, \qquad \text{se } |-x| < 1$$

Agora abre-se o \((-x)^{n+1}\):

$$\ln(1-x) = \sum_{n=0}^{+\infty}(-1)^{n}(-1)^{n+1}\frac{x^{n+1}}{n+1}$$

Obs. \((-1)^{n}(-1)^{n+1} = (-1)^{2n+1} = -1\), para todo \(n\). Os sinais alternados se anulam e sobra um sinal fixo:

$$\ln(1-x) = -\sum_{n=0}^{+\infty}\frac{x^{n+1}}{n+1}, \qquad |x| < 1$$
Exemplo · \(\ln(1-x^{2})\), trocando \(x\) por \(-x^{2}\) $$\ln(1-x^{2}) = \sum_{n=0}^{+\infty}(-1)^{n}\frac{\left(-x^{2}\right)^{n+1}}{n+1}, \qquad |-x^{2}| < 1$$

E a condição se resolve em \(x\) como no tópico 05:

$$|-x^{2}| < 1 \;\Longrightarrow\; |x| < 1$$
A5 · 11

Reconhecer a série de volta: \(x\ln(1+x)\)

Os exercícios também vêm ao contrário: dada a série, dizer que função ela é. O truque é pôr em evidência até bater com uma série conhecida.

Exemplo · pôr \(x\) em evidência $$\sum_{n=0}^{+\infty}(-1)^{n}\frac{x^{n+2}}{n+1} = x\sum_{n=0}^{+\infty}(-1)^{n}\frac{x^{n+1}}{n+1}$$

Obs. \(x^{n+2} = x\cdot x^{n+1}\), e o \(x\) não depende de \(n\): sai do somatório. O que ficou dentro é exatamente a série do tópico 09.

$$= x\ln(1+x), \qquad |x| < 1$$
Ajuste de expoente, não de índiceA tentação é mexer no índice do somatório para casar o expoente. Aqui não precisa: basta fatorar a potência de \(x\) que sobra e comparar o resto com a lista de séries conhecidas. Se sobrar \(x^{2}\), sai \(x^{2}\ln(1+x)\), e assim por diante.
A5 · 12

As funções \(\operatorname{arctg}(x)\) e \(\operatorname{arctg}(x^{2})\)

Mesma receita do \(\ln\): reconhecer a primitiva, substituir na geométrica, integrar, achar o \(C\).

Etapa 1 · \(y = -x^{2}\) dentro da integral $$\operatorname{arctg}(x) = \int\frac{1}{1+x^{2}}\,dx = \int\frac{1}{1-\left(-x^{2}\right)}\,dx$$ $$= \int\left(1 + \left(-x^{2}\right) + \left(-x^{2}\right)^{2} + \dots + \left(-x^{2}\right)^{n} + \dots\right)dx$$
Etapa 2 · integrar termo a termo $$\operatorname{arctg}(x) = \int\left(1 - x^{2} + x^{4} + \dots + (-1)^{n}x^{2n} + \dots\right)dx$$ $$= x - \frac{x^{3}}{3} + \frac{x^{5}}{5} + \dots + (-1)^{n}\frac{x^{2n+1}}{2n+1} + \dots + C$$

Obs. Só sobram expoentes ímpares, porque \(x^{2n}\) integrado dá \(x^{2n+1}/(2n+1)\).

Etapa 3 · o \(C\) e o intervalo $$x = 0 \;\Longrightarrow\; \operatorname{arctg}(0) = 0 + C$$ $$\Longrightarrow C = 0, \qquad |x| < 1$$
Exemplo · \(\operatorname{arctg}(x^{2})\) por substituição $$\operatorname{arctg}(x^{2}) = \sum_{n=0}^{+\infty}(-1)^{n}\frac{\left(x^{2}\right)^{2n+1}}{2n+1}$$

Multiplicando os expoentes:

$$\operatorname{arctg}(x^{2}) = \sum_{n=0}^{+\infty}(-1)^{n}\frac{x^{4n+2}}{2n+1}$$

Obs. \(\left(x^{2}\right)^{2n+1} = x^{2(2n+1)} = x^{4n+2}\).

Exemplo · derivando \(\operatorname{arctg}(x^{2})\)

Pelo lado da função, com regra da cadeia:

$$\frac{1}{1+\left(x^{2}\right)^{2}}\cdot(2x) = \frac{2x}{1+x^{4}}$$

A mesma derivada sai da série, pelo tópico 02 — e é o teste mais rápido de que a série que você escreveu está certa.

A5 · 13

A função \(1/x\), longe da origem

Fecho da aula, e o exemplo que obriga o centro a sair do zero: \(1/x\) não está definida em \(x=0\), então não existe série dela centrada ali. O truque é somar e subtrair o centro no denominador.

Exemplo · centro \(x_0 = 1\) $$\frac{1}{x} = \frac{1}{1-1+x} = \frac{1}{1-(1-x)} = 1 + (1-x) + (1-x)^{2} + \dots$$

Obs. Escreve-se \(x\) como \(1-1+x\) e agrupa-se \(-1+x = -(1-x)\). Aí \(y = 1-x\).

A condição \(|y|<1\) vira um intervalo em \(x\):

$$|1-x| < 1$$ $$-1 < 1-x < 1$$ $$-2 < -x < 0$$ $$\boxed{\;0 < x < 2\;}$$

Falta arrumar a série para ficar em potências de \((x-1)\), que é a forma canônica com centro 1:

$$\frac{1}{x} = 1 - (x-1) + (x-1)^{2} - (x-1)^{3} + \dots = \sum_{n=0}^{+\infty}(-1)^{n}(x-1)^{n}$$

Obs. \((1-x)^{n} = (-1)^{n}(x-1)^{n}\) — é só trocar a ordem da subtração e pagar com um sinal.

Exemplo · centro \(x_0\) qualquer

A mesma conta, com o centro em aberto:

$$\frac{1}{x} = \frac{1}{x_0 - x_0 + x} = \frac{1}{x_0 - (x_0-x)}$$

Põe-se \(x_0\) em evidência para o primeiro termo virar 1:

$$= \frac{1}{x_0\left(1-\dfrac{x_0-x}{x_0}\right)} = \frac{1}{x_0}\left(1 + \left(\frac{x_0-x}{x_0}\right) + \dots\right)$$ $$= \frac{1}{x_0}\sum_{n=0}^{+\infty}(-1)^{n}\frac{\left(x-x_0\right)^{n}}{x_0^{\,n}}$$ $$= \sum_{n=0}^{+\infty}(-1)^{n}\frac{\left(x-x_0\right)^{n}}{x_0^{\,n+1}}$$

Obs. De novo \((x_0-x)^{n} = (-1)^{n}(x-x_0)^{n}\), e o \(1/x_0\) de fora junta-se ao \(x_0^{\,n}\) virando \(x_0^{\,n+1}\).

E a condição:

$$\left|\frac{x-x_0}{x_0}\right| < 1 \iff |x-x_0| < |x_0|$$
O raio é a distância até o buraco da funçãoRepare no que \(|x-x_0|<|x_0|\) está dizendo: o raio de convergência é exatamente a distância de \(x_0\) até \(0\), o ponto onde \(1/x\) deixa de existir. Com \(x_0=1\) dá \(R=1\) e o intervalo \((0,2)\) — confere com a conta do exemplo anterior. Isso serve de conferência rápida em qualquer questão desse tipo.
FechoChecklist
Revisão

Checklist da A5

Se você consegue responder tudo abaixo sem consultar, a aula está fechada.

PerguntaOnde está
Escrever \(f(x)=\sum a_n(x-x_0)^n\) e a soma parcial \(S_n(x)\)De série a função
Derivar uma série de potências termo a termo, ajustando o índice inicial para \(n=1\) e \(n=2\)Derivação termo a termo
Integrar termo a termo e lembrar que o \(C\) é único e fica fora do somatórioIntegração termo a termo
Escrever \(1/(1-y)\) com \(y=f(x)\) e dizer a condição \(|f(x)|<1\)Trocar \(x\) por outra coisa
Enunciar o teorema da substituição e resolver \(|x^{2}|<R\) em \(x\)O teorema da substituição
Explicar com \(\sum \operatorname{sen}(n!x)/n^{2}\) por que derivar termo a termo não vale fora de série de potênciasPor que isso só vale para série de potências
Pôr o 3 em evidência e expandir \(1/(3+x)\) até \((-1)^n x^n/3^{n+1}\), com \((-3,3)\)A função \(1/(3+x)\)
Obter a série de \(-1/(1+x)^{2}\) derivando a de \(1/(1+x)\)A função \(1/(1+x)\)
Deduzir a série de \(\ln(1+x)\) por integração e fixar \(C=0\) em \(x=0\)A função \(\ln(1+x)\)
Simplificar \((-1)^{n}(-1)^{n+1}=-1\) e chegar a \(\ln(1-x)=-\sum x^{n+1}/(n+1)\)As funções \(\ln(1-x)\) e \(\ln(1-x^{2})\)
Fatorar a potência de \(x\) de uma série dada e reconhecê-la como \(x\ln(1+x)\)Reconhecer a série de volta
Montar a série de \(\operatorname{arctg}(x)\) e passar dela para \(\operatorname{arctg}(x^{2})\), com expoente \(4n+2\)As funções \(\operatorname{arctg}\)
Somar e subtrair o centro para expandir \(1/x\) em torno de \(x_0=1\) e achar \(0<x<2\)A função \(1/x\)
Repetir a expansão de \(1/x\) com centro \(x_0\) genérico e concluir \(|x-x_0|<|x_0|\)A função \(1/x\)
Trocar \((a-b)^n\) por \((-1)^n(b-a)^n\) sem errar o sinalA função \(1/x\)